18.2.09

E cantor, não?

Olegário Benquerença, árbitro escolhido para o Sporting-Benfica que aí vem

E treinador, não?

Youri Djorkaeff em delírio musical

10.2.09

Mas chega de futebol...

...que o mundo está cheio de assuntos sérios. Quer dizer, está sempre e ao mesmo tempo nunca está. Já se sabe que actualmente o impacto de qualquer coisa, por mais grave que seja, dura pouco mais do que segundos, horas, com sorte dias. Somos capazes de nos aterrorizar com imagens e notícias de desgraças terríveis e momentos depois rirmos despreocupadamente com qualquer coisa completamente diferente. Não é só hipocrisia (mas também é), é a única maneira de manter alguma sanidade mental e não nos afundarmos completamente num alarmismo hiperrealista. Ou então são os problemas, mais ou menos ridículos, que nos tocam directamente no dia a dia que deixam pouco espaço a outras preocupações. Estranha coisa esta, de termos o mundo todo à disposição e raramente olharmos com atenção para além do nosso umbigo. Enfim, bem sei que não estou a dizer nada de novo e que acabei de debitar alguns clichés que, embora verdadeiros, estão já bastante gastos. Mas se quiserem vejam isto como uma forma atrapalhada de fazer um mea culpa despido de moralismos, falsos ou verdadeiros. Entretanto, inaugurada que foi a face séria deste blogue, passemos ao que interessa.

Lá, no centro do mundo, Obama vai dando os primeiros passos. Perdi horas e horas de sono com as eleições norte-americanas, vi todos os debates, li tudo o que foi notícia, comentário, crítica, de ambos os lados da barricada e de território neutro. Enchi-me de esperança com a eleição, chorei algumas lágrimas. Atrevo-me a dizer, com algum embaraço, que foram estas eleições norte-americanas que me despertaram a(lguma) consciência. Acabada a fase de ilusão, esperança, ingenuidade, Obama, dizia, vai iniciando a sua real caminhada. Político como é, não se safou de algumas trapalhadas iniciais, com a nomeação e "desnomeação" de alguns foragidos fiscais. Mas Obama provou já que não é só um político qualquer, é um político hábil e consciente do que se passa para além do seu país. A iniciativa de estender a mão (protegida) ao mundo islâmico foi o primeiro passo essencial para um bom mandato no que diz respeito às relações internacionais. A stimulus bill que por estes dias vai tentando aprovar nos states acabará, mais ou menos adulterada, por passar, e esse será, apesar de insuficiente, um bom incentivo para a recuperação económica à escala global, directa ou indirectamente.

Mas a prova de fogo de Obama a curto-médio prazo será a forma como vai lidar com o conflito israelo-palestiniano. Hoje, dia de eleições em Israel, a direita e a extrema-direita vão sair mais reforçadas do que nunca. Isto quer dizer que o que vimos até agora de Israel pode ser considerado como leves reacções face à ameaça das fisgas palestinianas. Devo dizer, antes de mais, que não nutro qualquer simpatia pelo Hamas. Mas a desproporção de meios de poder entre as partes é tal que Israel nunca poderá ser visto como uma vítima neste processo. Israel tinha e tem capacidade de resolver este conflito, inclusivé de fazer com que se dilua a força ideológica do Hamas entre os palestinianos. Foi a contínua humilhação imposta por Israel que fez com que o Hamas chegasse ao poder. Só um acto de contrição e uma abordagem diferente, uma que envolva verdadeiro diálogo, seja com o Hamas ou com qualquer outro, poderá resolver este imbróglio. A viragem de política externa que Obama tenta fazer nos states em relação ao mundo islâmico é a mesma que Israel deve prosseguir em relação à palestina. O conflito bélico e surdo, já está mais do que visto, mais não faz do que alimentar a grande bola de neve do ódio mútuo e só acaba quando se exterminarem uma ou ambas as partes. E aqui, há que dizê-lo, custa a entender que Israel, conhecendo como conhece a trágica história do povo judeu, vá caminhando, passo a passo, consciente ou inconscientemente, rumo a uma política que acabará, em última instância, por só se sentir cumprida com o extermínio dos palestinianos. Não é por acaso que a extrema direita subiu tanto nas sondagens, não é por acaso que não se lamenta a morte das crianças e civis do outro lado. E não pensem que estou a ter dois pesos e duas medidas. Bem sei que extremistas abundam de um lado e de outro. Mas repito, é a desproporção de meios que faz pender a balança da responsabilidade e da iniciativa para o lado Israelita. Mesmo que se queiram matar todos uns aos outros, só Israel tem meios para tal. Com o poder vem a responsabilidade, e só a noção realista e consciente dessa responsabilidade pode legitimar o poder. Israel há muito que tem graves falhas de consciência.

E Obama, onde entra aqui? Ora, cabe à nova administração americana retirar a carta branca que sucessivamente tem passado a Israel em relação a este conflito, como se tem visto pelo comportamento dos states na ONU. O lobby judeu sempre teve uma força imensa na américa do norte, mas terá perdido algum do seu poder com a eleição de Obama. Além disso, este não pode, por um lado, estender a mão ao mundo islâmico e por outro fazer de árbitro parcial quando se trata de Israel. Se Obama quer realmente uma viragem na política externa, não lhe resta outra hipótese senão mudar de atitude. Nesse sentido, a eleição de um governo ainda-mais-à-direita em Israel até pode servir de ajuda. Se até agora, com Bush, Israel e Estados Unidos sublinhavam um mesmo tipo de discurso, com Obama de um lado e um governo Israelita extremista do outro, mais fácil será realçar as diferenças ideológicas entre ambos e legitimar, nos states, o seguir de caminhos diferentes. Se, por algum milagre, Israel acabar por eleger um governo mais moderado, então em teoria ficará desde logo aberta a possibilidade de uma convergência entre a actual política externa norte americana e uma nova abordagem israelita, mais construtiva, ao conflito. Haja esperança.

Por cá... bom, do que se passa por cá pouco apetece falar. É deprimente. Sócrates vai-se afundando em casos, no mínimo, duvidosos e temo que, re-eleito ou não, a sua margem de manobra se esgote em breve. E digo temo porque a alternativa se afigura ainda pior do que o mau governo de Sócrates. Não deixa de ser curioso que o que mais tem perturbado a estabilidade de Sócrates não têm sido as suas medidas políticas, mas o que supostamente terá feito até chegar à posição de poder definir essas mesmas políticas. Só prova que ser um animal político - e ele é-o, goste-se ou não - não passa incólume a tudo. Se fez muita merda pelo caminho, é provável que lhe descubram o rasto, mais cedo ou mais tarde. Curiosa também tem sido a forma como Sócrates se tem colado aos slogans e às atitudes de Obama. Fica um pouco ridículo e dificilmente pegará num momento em que a sua popularidade anda em baixo, mas ele lá sabe. Algum Obama aí ao virar da esquina que queira pegar nisto?

Queiroz compara selecção a uma vaca...

...já eu, após relembrar o 3-6 de 93/94 e os últimos jogos da nossa mal nutrida vaquinha, acho que Queiroz é um boi. *











* sem querer ofender os verdadeiros bois

9.2.09

Já que de Alvalade só vêm desgraças, tenho de me entreter com qualquer coisa

Being a Sporting fan is expecting tragedy to bitchslap you in the face when you're one inch away from glory


1993/4




2004/5




Original Video- More videos at TinyPic

2008/9


Coisas em comum:

- equipa adversária veste-se normalmente de vermelho, mas não é condição sine qua non. Qualquer equipa tem potencial de tragédia quando defronta o Sporting

- existe sempre um momentozinho de esperança durante o jogo e antes da derrocada total, não vá a tragédia correr o risco de ser insuficientemente dolorosa e traumatizante

- partimos sempre para estes jogos com um capital de esperança e confiança que a história já nos deveria ter ensinado a recusar

- apesar das três anteriores, e no que demonstra ora uma completa idiotice, ora uma convicção inabalável mas perfeitamente infundada, continuamos a pensar que, se todas as forças do universo conspirarem a nosso favor, algo cuja probabilidade roça o valor zero, ainda poderemos ser campeões "nesta" época, estejamos com quatro, vinte e quatro, ou todos os pontos de desvantagem em dado momento *

* sim, já cheguei a acreditar que os 3 ou 4 clubes à nossa frente na classificação poderiam desistir da competição na última jornada