6.7.10

O fim do mundo já esteve mais longe (3)


A conferência de imprensa de ontem foi a coisa mais vergonhosa de que há memória na história leonina.

As notícias que saíram antes de tão deplorável evento, apontando desde logo as "razões" pelas quais o Moutinho teria forçado a saída (incluindo citações que seriam mais tarde replicadas, palavra por palavra), não deixam margem para dúvidas: o departamento de propaganda Sportinguista andou a espalhar pelas redacções dos jornais a versão dos acontecimentos que lhe convinha bem antes da conferência. A única coisa que acrescentaram foi a metáfora apaixonada da maçã podre, tão ao jeito de Bettencourt, um homem para quem a paixão se resume à encenação de um drama de faca e alguidar onde ele representa sempre o papel de mulher (várias vezes) enganada.

E ver aqueles dois cepos a insultarem aquele que foi, porventura, o maior símbolo leonino da última década fez com que sentisse que aquele já não é o clube que nunca me custou a admirar. Hoje em dia é necessário fazer um esforço para perceber o que me leva a apoiar o Sporting. Nunca foram os títulos. Talvez tenham sido os valores, o ecletismo, o meu avô. Tenho de me agarrar aos dois últimos, que os primeiros já não contam, ao contrário do que Bettencourt nos quer fazer crer.

E o pior é que aquela orquestração toda não foi mais do que um auto-retrato de incompetência e inabilidade: tanto insultava Moutinho por um lado, como quase que agradecia ao Porto por outro; tanto achava que Moutinho tinha forçado a saída, como que o Porto nada tinha contribuído para isso; tanto queria castigá-lo com o conhecido tratamento Fehér, como se sentia feliz por o ver partir. É tudo mau de mais para ser verdade.

Enfim, a mim não me engana mais. A história da maçã podre terá sido (ainda temos de esperar para ver) o ponto mais baixo da sua experiência enquanto 1º presidente profissional da história sportinguista. Escusado será dizer que tenho muitas saudades dos tempos cinzentos de Filipe Soares Franco!

De resto, é esperar que as duas macieiras podres que lá temos plantadas definhem de vez. Temo é que isso venha a acontecer tarde de mais.

4.7.10

O fim do mundo já esteve mais longe (2)


Moutinho - rapaz sério - era muito próximo de Paulo Bento - homem sério. E quando PB saiu, o rapaz sério, preocupado com o futuro do seu clube, assumiu logo que a culpa foi de todos, não fosse alguém cair na tentação de pensar que os problemas do Sporting ficariam resolvidos com a saída do treinador.

A promessa de um novo director desportivo e de um treinador consagrado para substituir PB fez com que Moutinho, rapaz sério, tivesse alguma esperança. Saiu-lhe o pack Sá Pinto (um Rottweiler movido a esteróides) mais Carvalhal na rifa e o capitão naturalmente desconfiou. Mas Carvalhal provou não ser tão mau assim (ao contrário do Rottweiler) e foi ganhando o apoio de quase todos os jogadores, incluíndo Moutinho.

Pelo meio chegara Costinha. Sá Pinto, quando entrou, deve-se ter inspirado num daqueles filmes em que chega um gajo novo à prisão e que, para ganhar respeito entre iguais, decide logo espancar o gajo maior que lá anda. Já Costinha, que apesar de ainda não ter espancado ninguém, nem por isso provou ser mais inteligente, decide acusar de falta de profissionalismo um gajo a quem só faltou entrar de muletas em campo. Mais ainda, decide que não é treinador para o Sporting aquele que, partindo de condições mais do que negativas, consegue criar empatia com os jogadores e pô-los a jogar como quer.

Vai daí, a dupla Bettencourt e Costinha, a maior parelha de idiotas de que há memória no Sporting - e olhem que a história do clube está bem recheada - decidem que, sabe-se lá porquê, têm de arranjar um treinador consagrado e/ou verdadeiramente promissor. Fala-se de Le Guen, Manuel José, André Villas Boas. Mas quem é que vem? Mais um toureiro: Paulo Sérgio.

A Moutinho, rapaz sério, é-lhe impossível conviver com este bando de idiotas.

Pois eu acho que o Moutinho fez muito bem, decidiu ir para um clube sério e bem estruturado, e tenho pena que venha a ser assobiado por uma cambada de energúmenos quando voltar a Alvalade, pois foi daqueles jogadores que sempre deu tudo em campo pelo clube.

E aposto que ainda vamos ouvir nas próximas horas o Bettencourt dizer que só fica quem joga por amor à camisola e o Costinha a dizer que o Moutinho não quis treinar e que portanto se pode ir embora. É a arma expectável de quem se mostra profundamente incompetente para fazer o seu trabalho.

Enfim, volto a escrever sobre o Sporting quando descermos de divisão.

O fim do mundo já esteve mais longe (1)



Moutinho no FC Porto por 10 milhões mais Nuno André Coelho (quem?*).









* um defesa central quase tão bom como o Mexer.

18.6.10

Obrigado, Saramago

Pela aversão à banalidade, pelo humanismo, pelas palavras.

Morre o corpo, perdura tudo o que é importante.

30.6.09

Terapeuta procura-se

Hoje sonhei que o Ramires já não vinha para o Benfica, pois ao regressar ao Brasil após a taça das confederações tinha assassinado brutalmente a mulher e o filho*. Melhor, sonhei que tinha ouvido isto na rádio e que tal acto tresloucado tinha sido catalogado como um "homicídio ciumento", visto que Ramires tinha descoberto que a mulher tinha um amante e não tinha aguentado a humilhação. Também sonhei com as consequentes reacções nalguns blogs de sportinguistas e portistas, que ignoravam a tragédia em favor de um fútil regozijo pelo não-reforço do plantel benfiquista. Como cereja no topo do bolo, sonhei ainda que tinha escrito um post a condenar tais adeptos, visto que a dimensão da tragédia e a parte humana teriam sempre que se sobrepor à desportiva.

Existe certamente neste sonho um misto de esquizofrenia e pescadinha-de-rabo-na-boca que terei de discutir com o meu terapeuta. Mas não há dúvida que a chegada de reforços em catadupa ao Benfica e a comparação com a recente e pobrezinha contratação de Matigol começam a afectar o meu sono.

Felizmente, o meu estado consciente assegura-me que não há nada que o Benfica não consiga estragar e que podemos sempre contar com diversão para aqueles lados. Venha o campeonato.

P.S. - Nada de pessoal, ó Ramires.

3.5.09

Gripe A, essa exterminadora implacável

"A nível mundial, a contabilidade de casos confirmados vai já em 780, de acordo com o ECDC, tendo-se registado até ao momento um total de 20 mortos" (in Público)

Consta que no mesmo período de tempo morreram mais pessoas devido a ataques de riso.